sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

SOBRE A SOMBRA

    A Física Quântica é a ciência das infinitas possibilidades e a ciência que estuda as interconexões entre todo o Universo.

   Segundo F. Capra, as interconexões (ou relacionamentos) tem até mais importância do que as “coisas” que se interconectam, porque estas coisas não existem como coisas inter-separadas, mas pensam, sentem, agem e vivem como  se fossem entidades separadas, e precisam se interconectar para (re)descobrirem que são Um.

    As interconexões existem para provocar o exercício de expor a sombra (que é quem fomenta a crença da separatividade) e trabalhar na direção em que vai todo o movimento universal, que é a busca do estado original de Unidade.

    Este movimento universal de homeostase, expansão e transcendência é chamado pelos hindus de Sattwa Guna.

   Todas as coisas que passamos e experienciamos na vida, imprimem uma informação psico-emocional em nosso inconsciente.

   As coisas positivas que vivemos, nossas vitórias, os reconhecimentos, o afeto e apoio que tivemos, aquilo que conquistamos, os obstáculos que superamos, tudo isso vai imprimir informações psico-emocionais “positivas” em nosso inconsciente como se fosse um software.

   Por outro lado, as perdas, as traições, as faltas, as violências, as injustiças, as carências e as derrotas, bem como nossos defeitos, falhas e imperfeições humanas, vão imprimir informações psico-emocionais “negativas”, como softwares com vírus e bugs.

   Entenda-se por positivo e negativo aqui não um julgamento moral, mas as polaridades energéticas universais. Até porque não acredito em nada que seja negativo, mau, errado ou ruim no Universo. Tudo são apenas aparências. Obstáculos para serem superados. Material de trabalho.

   Então, o que chamamos de personalidade e caráter é o resultado destas duas instâncias que poderíamos chamar de a Luz e a Sombra em nós. A parte de nós que trabalha a nosso favor e a parte de nós que trabalha “contra” nós. Aonde nós nos ajudamos e aonde nos atrapalhamos, aonde nós oferecemos resistências.

   É como se tivéssemos um jogo de futebol acontecendo em nós permanentemente. O time da Sombra e o time da Luz. E a gente fica tentando fazer com que o pessoal do time da Sombra passe prá Luz.

   Isto vem trazer diversos desdobramentos:  

   - Primeiro, a necessidade de ressignificarmos nossa Sombra – nossa natureza mais animal, nossos defeitos, falhas, erros, imperfeições, dificuldades, bloqueios, raivas, tristezas, medos, padrões e crenças limitantes e dolorosas...  e também todo nosso potencial, capacidades e talentos ainda não desenvolvidos.

   Nossa Sombra não precisa mais ser vista como um mal, como um castigo ou um estigma. Nossas dores e limitações não precisam ser mais vistas como algo inevitável e irreversível, nem como necessariamente culpa dos nossos pais, de Deus, do governo, dos patrões, do sistema, ou pior, de nós mesmos.

   Nossa Sombra é apenas o material de trabalho – pendências do passado - de que dispomos para nos aperfeiçoarmos nesta encarnação.

   O que chamamos de defeitos, falhas e erros, são na verdade nossos obstáculos, testes, exercícios, aprendizados, treinamentos, e que, diga-se de passagem, foi tudo pedido, pré-contratado, aceito e atraído por nós para nosso desenvolvimento e evolução, numa parceria perfeita, justa e inteligente com o Universo.

   Nossa Natureza Real é a Unidade, o Equilíbrio, a Harmonia, a Felicidade, a Paz, o Amor e a Luz. Já fomos construídos prontos e perfeitos, apenas sofremos de uma profunda ignorância deste fato.

   Absolutamente não somos pecadores, nem culpados e nem vitimas de nada e nem de ninguém.

   Tudo em nós que não sejam as qualidades e virtudes citadas acima, não é realmente o que nós somos. É apenas como estamos no momento, temporariamente, fruto da nossa limitada perspectiva humana. Só tem realidade virtual dentro da realidade relativa que construímos. São nossas crenças, bloqueios, padrões, auto-imagem, personas.

     No Hinduísmo, estas informações psico emocionais se chamam samskaras (impressões, que geram vasanas : caráter, personalidade, tendências) e no Alinhamento Energético chamam-se “corpos energéticos”.

     E os hindus também consideram que todas as emoções ditas negativas, emanam de uma única emoção central, nuclear, que é o medo de morrer, e que, por sua vez, também tem origem em um medo ainda mais atávico e visceral que é o medo da dissolução do ego no Todo, o medo de perder a falsa identidade individual.

 - Em segundo lugar, poderíamos dizer que a equação do crescimento pessoal é, inevitavelmente e invariavelmente : entrar na consciência do que está reprimido, resistido e defendido " aceitar (entender a função do que foi atraído como material de trabalho) " fazer um movimento para transmutar e integrar.

   Trazer para a consciência através de reflexão, meditação e/ou terapia, nossas crenças e padrões limitadores, bem como nossa Luz, talentos e potencial. Mas só trazer para a consciência não é suficiente. Temos então que...

   - Aceitar. Olhar para nós mesmos com maturidade, com neutralidade e compaixão sem comparar com nada nem com ninguém, entendendo a função do que nos acontece e aceitando que se está aqui neste laboratório planetário, neste teatro cósmico, para transformar a Sombra em Luz. Ninguém tem “cacife” para julgar ninguém, nem mesmo si a próprio.  Tentativa e erro é justamente o que temos que fazer para aprender e crescer. Trazer a Sombra para a consciência, sem a sua aceitação subsequente, pode gerar muita culpa e muito stress. E a porta para aceitação é a compreensão da função, do exercício evolutivo que determinada pessoa ou situação que atravessou nosso caminho, está nos chamando para trabalhar.

   - Finalmente, fazer um movimento para transmutar,curar, ressignificar, criar um novo padrão, expandir o que estava bloqueado, aprofundar. E o Alinhamento Energético vem como uma ferramenta altamente eficiente para promover as transmutações e ressignificações necessárias, geralmente de uma forma rápida e profunda.

   Estes são os três degraus do auto-desenvolvimento. 

   Mas é muito importante que consideremos também duas características psico emocionais fundamentais e bastante estruturais em nós, neste processo ilusório à que estamos submetidos (por nós mesmos), e que funcionam como verdadeiras armadilhas no processo evolutivo : 

- A auto-imagem - quem eu acredito que eu sou - e a persona - quem eu quero e/ou preciso que os outros acreditem que eu sou (e que está a serviço da auto-imagem para “equilibrá-la” e compensá-la).

   E temos que lidar ainda com dois profundos estados de cisão:

- A cisão externa (eu me sinto separado dos outros, da Natureza e de Deus) e a cisão interna (eu sinto a separação entre meu corpo, minha mente e minhas emoções).

   É preciso muita auto-observação, muita neutralidade, muita humildade e respeito por nós mesmos, e muito trabalho interno para podermos equacionar e integrar este atávico jogo de aparências. 
 
   Outra coisa também extremamente importante, é que re-signifiquemos o conceito e a função do chamado “Mal”.

   A função do Mal não é destruir o Bem, como muitas religiões tem colocado de forma maniqueísta.

   A função do Mal é se transmutar em Bem. O Mal é o Bem na polaridade desequilibrada, escura. A Sombra é a Luz no outro lado da moeda.

   O “Mal” é o desequilíbrio que tem que se equilibrar, a desarmonia que tem que se re-harmonizar. É o exercício, o obstáculo, os testes, as provas.
   E no processo de ressignificação do Mal temos que ressignificar também o papel do demônio, de Satanás ou do diabo.

   Imaginem se o mais alto ser da mais alta hierarquia angélica – Lúcifer (aquele que traz a Luz) – ia ser tomado por uma emoção tão humana e terrena como a inveja !!! Nem os anjos da primeira hierarquia tem emoções humanas. E aí este mega-anjo caiu e virou um ser em guerra com Deus e ainda arrastou uma turma grande com ele...

    Só pode ser mito e como mito deve ser interpretado.

    Lúcifer (que também trabalha na Egrégora do Ministério de Cristo), é o Ser de Luz que promove os obstáculos e exercícios necessários para o crescimento e a expansão de toda a Criação. É Deus que aceitou descer aos infernos e à Sombra do homem para ajuda-lo à resgatar sua Luz.

    Na Mitologia Hindu, os demônios são sempre grandes devotos de Deus (em geral de Shiva), e sempre são liberados quando Deus (geralmente Vishnu) os mata.

    Imagine, por exemplo, um atleta de ponta de nível olímpico. Vamos dizer que seja um saltador em altura. O que ele faz ? Contrata um treinador que coloca a vara em determinada altura.

    Aí este atleta treina duro durante meses, com disciplina espartana até que consegue saltar. Quando ele salta e está lá todo feliz e orgulhoso, seu treinador sorri e... levanta um pouco mais a vara, e começa tudo de novo.

     Por acaso este treinador significa o mal para o atleta ? Será que ele está trabalhando contra ele ? O saltador deve ficar com raiva do treinador ?

     Então, costumamos dizer de brincadeira que quando Deus faz reunião de ministério, quem está sentado à sua direita é Jesus, e à sua esquerda é Lúcifer, o “grande treinador”.

     Claro que existem as regiões infernais. Claro que ao desencarnar muita gente vai para estes locais. Mas estes locais não são nada mais que projeções do nível vibratório e evolutivo interno da própria pessoa. O inferno e o Céu estão sempre dentro do homem.

    Portanto, não desqualifique sua Sombra. Não diga “que droga, fiquei com raiva”, “estou com um medo horrível”, “que tristeza terrível”.  Não negue, nem menospreze nem maldiga as emoções chamadas negativas.

   Aceite a sua inveja (in-veja, veja dentro o potencial que você pensa que só o outro tem), seus ciúmes, seus apegos, suas fraquezas. Olhe para elas com a visão da Águia – com neutralidade, equanimidade e compaixão.

    Também não procure fugir da sua Sombra focando na Sombra do outro, porque ao fazê-lo você só estará vendo a sua própria Sombra na Sombra do outro.  

    Conscientize, observe, sinta, perceba o aprendizado que você atraiu através destas emoções e sentimentos, transforme-se e libere-as. Senão elas ficarão se repetindo (e com intensidade progressivamernte aumentada) até que você faça algum movimento interno de liberação. 
 
   Grande parte das informações psicosemocionais positivas e negativas que construíram nossa personalidade e caráter foram enraizadas na infância, justamente numa época da vida em que temos poucas condições de compreender de uma forma ampla e profunda o sentido e a função do que nos aconteceu, e as circunstâncias complexas em que os eventos ocorreram – não sabíamos, por exemplo, que não éramos o centro do mundo e que nossos pais não eram perfeitos.

   Neste caso, o que fica mais contundente é o que se sente, dentro da perspectiva estreita do que se compreende.   

   Até porque muito antes de pensar nós já sentíamos.

   Uma criança, por exemplo, que sofre violências do pai, não tem condição de avaliar que o pai também tem suas questões, suas dores e doenças, que também teve pais que tiveram pais...  

   O que fica marcado criando o trauma é o fato em si e seu sentimento. 
 
   A criança funciona dentro de uma “lógica”, uma equação simplista, mas geradora de toda uma série de sofrimentos emocionais : “se fizeram isto comigo é porque não gostam de mim. Se não gostam de mim, é porque não sou bom“.

   Porque visceralmente necessitamos – e buscamos isso desesperadamente – sermos aceitos, reconhecidos e amados. E para receber isto, para nos sentirmos pertencendo, “fazemos qualquer negócio”, nos tornamos rigidamente perfeccionistas, ficamos neuroticamente “bonzinhos”, só pensamos nos outros e esquecemos de nós, e nos deixamos “prostituir”, cedendo excessivamente nosso tempo, dinheiro, ouvido, paciência, trabalho, até sexo, em troca do que necessitamos.

   E como o cérebro não reconhece a diferença entre o que aconteceu no passado e o que aconteceu hoje (Freud teria adorado saber disso!), as informações dolorosas ficam sendo permanentemente atualizadas, e o conjunto destas informações  são hoje as nossos traumas, crenças, padrões limitadores e bloqueios.

    Ficamos carregando conosco todas as crianças sofridas que fomos como se ainda as fossemos.

    Quase tudo fruto de equívocos de perspectiva que mantém as emoções e a psique desequilibradas.

    Precisamos liberar nossas crianças sofridas, devolvendo-as felizes ao passado, e passando a encarar e a lidar amorosamente com a Sombra como nosso precioso material de trabalho evolutivo.

   É o primeiro passo para amar a si mesmo, que é o primeiro passo para amar ao próximo e ao Universo.


ERNANI FORNARI
REFLEXÕES SOBRE O PERDÃO

O perdão é considerado por praticamente todas as religiões e escolas espiritualistas e terapêuticas como uma das mais importantes e fundamentais virtudes a serem desenvolvidas e praticadas pelos seres humanos.

Mas eu queria colocar aqui a minha opinião sobre este assunto para instigar uma maior reflexão sobre este tema:

Acho muito interessante que duas das vertentes de auto conhecimento e de cura que adotei na minha vida – pessoal e profissional - tenham uma concepção diferente sobre o perdão: as Constelações Familiares e o Hoponopono.

A primeira, uma técnica terapêutica sistêmica e fenomenológica criada pelo terapeuta alemão Bert Hellinger em função de sua intensa (e extensa) experiência com várias linhas de psicoterapia e de sua vivência como missionário entre os zulus na África.

A segunda, uma técnica de cura xamânica derivada do xamanismo Kahuna do Hawai, redesenhada pela curadora havaiana Mornah Simeona e popularizada pelo dr. I.H.Len.

Ambas utilizam a expressão “Sinto muito”.

No Hoponopono quando se pede perdão, é à Divindade interna que se pede, pois a Divindade é a única instância universal que pode nos outorgar o perdão.

Nós não temos o poder de absolver ninguém, que é isso a que o perdão parece se propor.
Só Deus (independente de como O concebamos) pode nos perdoar, e assim nos absolver.

Ao outro e a nós mesmos dizemos “Sinto muito”.

Pelo menos foi assim que entendi esta técnica e é assim que a utilizo e a ensino nos meus cursos.

Se eu entendo que o Universo é uma instância consciente e inteligente como uma grande teia holográfica e sistêmica onde cada ser e cada coisa estão profunda e abrangentemente interligados de forma totalmente interdependente e interagente; e se entendo que quem quer que seja Deus, está, antes de mais nada, presente no âmago de cada ser e cada coisa existente, me parece que esta Inteligência em nós atrai os exercícios, provas e testes perfeitamente necessários para o nosso crescimento e evolução.

Isso desmonta a velha ideia de culpado X vítima que aprendemos em função das religiões que acreditam na guerra do Bem contra o mal e que acreditam que já nascemos pecadores e culpados.

Então, se o nosso encontro humano com o outro (que foi kármicamente pré combinado e pré contratado por nós) não funcionou evolutivamente como deveria e provocou sofrimento para nós, provavelmente foi porque este acabou sendo o jeito que deu prá se fazer.

Foi  portanto, o melhor que pudemos fazer naquele momento, dentro das nossas limitações e imperfeições humanas.

Se for muito absurda para você essa história de se pré contratar e pré combinar, vamos pensar em um Universo multidimensional, em uma realidade que as culturas antigas e a moderna Física Quântica reconhecem extrapolar as conhecidas quatro dimensões (espaço e tempo).

Se considerarmos que quando nascemos esquecemos tudo o que vivemos nas nossas vidas passadas, que quando dormimos ao acordarmos esquecemos tudo o que fizemos nas outras dimensões enquanto o corpo dormia, e que ainda temos 90% de nosso psiquismo funcionando de forma inconsciente, podemos perfeitamente considerar que combinamos e contratamos as nossas experiências e exercícios evolutivos nestas outras dimensões que depois são esquecidas quando afundamos novamente na chamada vida consciente.

É importante entender também que sentimento de culpa é diferente de ter culpa.

Sentimento de culpa é o nome que damos ao fato de que estamos sofrendo por termos feito alguém sofrer. Denota boa educação, bom caráter e bom coração.

Mas efetivamente ter culpa não existe, já que o que ocorreu entre nós foi um evento em que ambas as partes são co-responsáveis.

Troca-se aí então a culpa pela responsabilidade.

E “Sinto muito” traz esta perspectiva.

Traz a consciência de que fizemos o melhor que podíamos, embora não tenha funcionado bem, e que se diferente ou melhor pudéssemos ter feito, óbviamente que nós o teríamos feito.

Então, eu realmente sinto muito pelo que aconteceu entre nós. Sinto muito pelo que eu fiz e/ou falei (ou pelo que não fiz e/ou não falei) e que provocou sofrimento.
E esta atitude nos nivela.

Perdoar desnivela, pois coloca o “perdoador” superior ao “perdoado”.

E além do mais, seria muito fácil se perdoar alguém se isto se resumisse mágicamente a apenas se pronunciar palavras, que é o acontece na maior parte das vezes.

Diz-se que se perdoa mas a coisa ainda fica ruminando por dentro.

Desta forma, o mais inteligente e eficaz seria tratar isso dentro de nós mesmos, já que somos co-responsáveis pelo que o outro fez conosco.

E também pela simples e óbvia razão de que só temos o poder de mudar e de curar a nós mesmos, e não ao outro.

ERNANI FORNARI


REFLEXÕES SOBRE PROSPERIDADE E VALOR

Não para polemizar, mas para abrir um espaço de reflexão, vou lançar aqui umas questões e as minhas opiniões sobre elas, já que este é um assunto complexo e cheio de mal entendidos:

- Você é do tipo que acha que dinheiro é um vil metal feio e sujo e que é a causa dos males da Humanidade?

- Você tem vergonha de cobrar pelo seu trabalho? Acha feio cobrar de amigos? Acha que dinheiro polui a amizade? Acha que o que é de graça é mais bacana do que o que é cobrado?

- Acha que pobre é mais bacana do que rico? E que todo o rico é necessariamente mercenário e explorador? Acha que a busca pela prosperidade é sinônimo de ambição e ganância?

- Acha que dar é mais nobre que receber? Que fazer pelo outro é mais importante que fazer por você? Que dar o que falta é mais nobre que dar o que sobra?

Então aí vão as minhas reflexões (sem a intenção de ser dono da verdade, por favor!):

- Acho que se o padrão de troca que se instituiu no mundo ao invés de papel moeda fosse, por exemplo, troca mesmo de uma coisa (produto ou serviço) por outra, com toda a certeza haveria da mesma forma a exploração do homem pelo o homem, máfia, tráfico, etc.etc que existe hoje.

Me parece que o problema dos chamados males do mundo é a mente humana, é o nível evolutivo em que se encontra nossa Humanidade (que Kardec chamou de Planeta de Expiação).

Um swami da India que me é muito querido dizia que se Deus consertasse tudo e nos devolvesse um planeta zerinho, nós outra vez faríamos tudo igual de novo e rapidinho teríamos os mesmos problemas que temos hoje. .

Então  com toda a certeza a questão central não é exatamente o dinheiro, e sim o VALOR.

Já reparou que religiões e ditaduras sempre mexem nesse valor para poder dominar?

Dinheiro e sexo acabam sempre sendo demonizados, pois vem de uma mesma fonte: vem do potencial inerente ao homem de ser plenamente livre, criativo, produtivo e próspero.

E alguém plenamente livre, criativo e próspero não pode ser dominado por ninguém.

Dinheiro é, neste nosso planeta, o retorno que recebemos pelo fruto do nosso trabalho (que é fruto do nosso conhecimento e das nossas capacidades e talentos).

E sexo é o poder de procriar e de estabelecer uma vida plenamente prazerosa e energeticamente equilibrada. Pelo menos deveria ser...

- Uma das coisas que acho muito gratificante quando compro algum produto ou algum serviço de um amigo, é poder pagá-lo. Me dá muito prazer poder retribuir com o que se convencionou ser o padrão de troca – dinheiro – o trabalho do meu amigo.

E por ser meu amigo me dá muito mais prazer ainda poder ter a oportunidade de pagá-lo e assim retribuir seu talento, esforço, conhecimento e trabalho.

Já que pagar com dinheiro é o padrão de troca vigente, porque dar sal ou cereais ou vacas, por exemplo, seria mais nobre?

Da mesma forma, me sinto muito tranquilo em poder cobrar pelo meu trabalho, sem vergonhas nem constrangimentos, inclusive dos amigos, se for o caso.

 Afinal, gastei um bocado de tempo, neurônios e grana prá poder fazer bem o que faço para viver.

Aí as igrejas criaram a crença de que o que é de graça tem muito mais valor do que o que é cobrado.

Na minha ética pessoal, quando peço desconto ou gratuidade para algum produto ou serviço de um profissional – a menos, óbvio, que eu não tenha realmente como pagar e realmente precise do serviço ou do produto -  nas entrelinhas o que estou querendo dizer – e isso normalmente é inconsciente -  é que eu estou desqualificando o valor do produto ou do serviço da pessoa que colocou seu preço em função do valor que ela o atribuiu em função do seu esforço e trabalho.

E desqualificar o valor do trabalho e o produto dele é desqualificar a própria pessoa.

O Universo é um organismo em “mão dupla” (lembra de yin e yang?), auto regulado e auto regulador. Nada é de graça no Universo. Tudo é na base da troca.

Uma historinha: há tempos atrás recomendei um determinado médico para um aluno, e tempos depois ele voltou muito irado chamando o médico de mercenário porque a consulta dele era caríssima! Já sabendo do perfil do aluno e das crenças do coletivo em relação a dinheiro e valor, perguntei se pelo menos o médico tinha horário na agenda prá ele, ao que respondeu irritado que “ainda por cima a agenda dele estava cheia !!!”.

 Ou seja, o aluno antes de saber sobre o médico, sobre sua qualidade, sobre sua prática (eu sabia que este médico atendia muito de graça para quem não podia pagar – e teria tranquilamente dado desconto ou não cobrado do meu aluno se fosse o caso - e dava assistência gratuita a vários asilos e orfanatos) apenas foi preconceituoso com... o VALOR.

O “preço caríssimo” (coisa que é um critério completamente relativo) foi a única coisa que o meu aluno enxergou.

Para mim, eu acho o máximo que um profissional tenha qualidade técnica e poder pessoal para cobrar “caro” e ainda ter a agenda cheia! E que paralelamente tenha disponibilidade para doar seus talentos para quem não pode pagar. Mas esta parte o meu aluno nem conseguiu acessar, tal o seu rígido  julgamento.

Além do mais, todos sabem que ao que é ganho de graça infelizmente dá-se pouco valor. 

Fato que pode ser abundantemente comprovado por pessoas que como eu, por exemplo, lidam e trabalham com centenas de pessoas.

Eventualmente sou chamado de mercenário porque meu trabalho também é “caro”.

Mas quem me julga em nenhum momento se preocupa em procurar saber que eu canso de dar bolsas para pessoas que não podem pagar, que atendo muito de graça e que já troquei até consulta por bolo!

E ainda assim muitas delas que choramingam suas dificuldades financeiras para obter desconto ou gratuidade, mais tarde nós vamos ver que a pessoa trocou de carro, que viajou para o exterior, ou seja, que economizou dinheiro às nossas custas.

Também eventualmente sou chamado de “marketeiro” porque acho bacana se produzir bem, acho o máximo vender competentemente o seu produto, divulgar eficientemente seu trabalho, ter site, blog, estar nas redes sociais.

E muita gente vê isso como se botar seu produto (e a sua imagem) na rua de forma profissional fosse uma enorme vaidade e um ato inferior e vergonhosamente capitalista.

Posso dizer, amigos, que ao longo da minha vida conheci verdadeiros yogues “disfarçados” de pessoas ricas, ditas burocratas e engravatadas, ao mesmo tempo em que conheci muitas pessoas alternativas, ecologistas e espiritualistas extremamente mal resolvidas quanto a sua própria prosperidade e que ficam raivosamente (e muitas delas invejosamente) rosnando contra o dinheiro, contra o sistema e contra a prosperidade alheia..

A pessoa que desenvolveu a terapia que nós fazemos e ensinamos dizia: “Não trabalhem de graça. Caridade se faz para quem realmente precisa – crianças abandonadas, velhinhos em asilo, vítimas de catástrofes, por exemplo – mas ninguém que procure este trabalho pode deixar de ser atendido por questões de dinheiro”.

Caridade é importantíssimo, mas é importante também que se esteja consciente do motivador da sua caridade.

Se você não é Madre Tereza ou Chico Xavier, provavelmente sua caridade além de motivada pelo sincero e humano desejo de ajudar o próximo, também trás em seu bojo o igualmente humano desejo de ser reconhecido e amado, de se sentir útil, de matar o tédio, de anestesiar seus sofrimentos, de preencher seus  buracos internos.

Não tem nada de errado nisso, claro, mas é sempre bom ser honesto consigo mesmo para não ficar se enganando desnecessariamente e não correr o risco de crescer no ego..

 É importante frisar aqui que fomos e ainda somos “vítimas” de três ideologias anti-prosperidade material: o cristianismo (lembra do “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus”?), o comunismo (a demonização do capital e do lucro) e o movimento hippie (que gerou uma confusão entre simplicidade e pobreza).

-  Galera, quem inventou que dar é mais nobre do que receber, que fazer pelo outro é mais bacana que fazer por si foi a igreja. A mesma igreja cujo inspirador maior, o Cristo, dizia em sua máxima “Amai ao próximo COMO a ti mesmo”. Ele não falou MAIS nem ANTES, ou seja, ninguém pode dar o que não tem.

Aí esta mesma igreja perversamente misturou auto estima, auto valor e poder pessoal com vaidade e misturou se priorizar com egoísmo. Estratégias que diminuem e desqualificam a auto estima coletiva para poder confundir e dominar.

Auto valor e poder pessoal não é vaidade. Amar, respeitar e admirar seus talentos, vocações, potenciais, capacidades, caráter e realizações é super saudável.

A vaidade começa quando se começa a se comparar e a querer competir e ser melhor que os outros.

Da mesma forma que priorizar-se não é egoísmo. “Eu primeiro” vai de encontro a máxima de Jesus citada acima.

Egoísmo é “Só eu”. E é muito diferente.

Ficam por aqui as minhas opiniões. Repito, não prá polemizar, mas para abrir um espaço para reflexão.


ERNANI FORNARI
DESTRINCHANDO  ALGUNS  EQUÍVOCOS

Como estudioso, pesquisador e escritor de assuntos como espiritualidade e terapias, achei por bem continuar abordando e refletindo aqui sobre alguns temas que sofreram muitas distorções e mal entendidos através dos tempos, e que continuam contribuindo para fomentar muita confusão e muito atraso evolutivo na Humanidade.

Vou abordar por tópicos:

1.   Estar errado X estar desequilibrado:

É muito comum - especialmente atualmente - ver as pessoas atribuindo o preocupante estado planetário, principalmente no que diz respeito à ética, honestidade e ecologia, exclusivamente ao homem e ao dinheiro.

O sentimento geral é o de que está tudo errado, e que por causa do maldito dinheiro o homem estragou tudo o que era perfeito e maravilhoso.

Talvez, em primeiro lugar, seja interessante refletir sobre o livre-arbítrio.

Aprendemos (muito em função da igreja) que livre-arbítrio é uma espécie de super poder que Deus deu ao homem de fazer o que lhe dá na telha à revelia da ordem cósmica.

Talvez – tomando aqui emprestado os conhecimentos orientais e nativos – o livre-arbítrio seja uma capacidade de escolha que está profundamente entretecida e entrelaçada com todos os livres-arbítrios de todos os outros seres viventes da Criação numa inteligente e perfeita relação de causa e efeito (que os hindus chamam de Karma).

Ou seja, o homem definitivamente não tem esse poder todo de destruir um planeta passando por cima da perfeita inteligência criadora.

Nem o dinheiro é a causa disso, já que dinheiro é apenas um padrão de troca de qualidade neutra.

Parece que o problema mesmo está no nível evolutivo da mente humana, e não no que se convencionou ser o padrão de troca.

Com este nível evolutivo de Humanidade que somos, talvez se o padrão de troca tivesse sido a troca mesmo (roupas por alimentos, ferramentas por animais,etc.) provavelmente haveriam máfias e cartéis e existiria a exploração do homem pelo homem da mesma forma.

Não sou espírita, mas acho que Kardec acertou na mosca quando chamou nosso planeta de “planeta de expiação”, ou seja, aqui é um laboratório perfeito para lapidar pessoas como nós que ainda estamos cheios de raivas, medos, ciúmes, invejas, ambições e apegos.

E nada melhor do que corrupção, desonestidade, desamor, violência e ganância para podermos treinar as virtudes e qualidades que devemos desenvolver.

Um Mestre que conheci dizia que se Deus colocasse esta Humanidade no Paraíso, ela o transformaria em um inferno rapidinho.

Então o que parece “estar errado” – como se Deus tivesse se distraído e Satanás se aproveitou para fazer das suas, ou como se tudo fosse um grande acaso cósmico – pode ser “estar desequilibrado”, pois aí sim existe um real convite para se reequilibrar, para se trabalhar, para se evoluir.

Pois do contrário – estar errado – o convite seria para consertar o que foi criado com defeito, o que parece bastante improvável.

Não só as culturas milenares da India e da China como a moderna Física Quântica reconhecem a natureza essencialmente auto reguladora do Universo.

Sempre que o sistema de desequilibra, esta força auto reguladora trabalha pelo seu reequilibrio. E sempre que o sistema se (re)equilibra a força auto reguladora trabalha para o seu desequilíbrio, senão não haveria crescimento e evolução. Tudo se estagnaria.

Então quando a força auto reguladora desequilibra o sistema para poder ser reequilibrado novamente dando sequencia à espiral evolutiva, devemos considerar que ela está errada?

É claro que isso não quer dizer que tenhamos que cruzar os braços e não fazer nada. Isso seria muito fácil.

E o que o Universo quer de nós é trabalho. Trabalho interno e externo intenso.

Ele quer que entendamos de uma vez por todas que só se muda o externo quando se muda o interno, pois o externo é um espelho, um reflexo do interno. Uma coisa está intrinsecamente relacionada com a outra.

O Universo quer de nós trabalho humilde e desapegado com a consciência de que não viemos aqui para salvar nada. Viemos aqui apenas para descobrir e re-experienciar quem nós somos – a Unidade.

Livros muito antigos como o Bhagavad Gita e o Tao Te King podem dar boas dicas sobre a complexa questão da ação na inação e inação na ação.

Acho que estamos urgentemente precisando entender profundamente estes fundamentais conceitos.


2.   Culpado X responsável:

Uma das mais nocivas invenções da igreja – entenda-se aqui por igreja as religiões que tem sua origem no Antigo Testamento, como o judaismo, o catolicismo, o protestantismo e o islamismo - que com suas culpas e pecados manteve a autoestima coletiva sempre no pé, tornando-a assim um material fácil de ser manipulado e controlado para atender a interesses normalmente nada espirituais.

O que as tradições milenares e as modernas linhas transpessoais de terapias sugerem é que, se todos somos Um e se todos somos co-participantes e co-criadores da existência, Deus (seja lá como cada um O concebe) antes de mais nada mora dentro de cada ser e de cada coisa existente no Universo e nos conhece melhor que nós mesmos.

E esta instância inteligente que vive em nós, atrai as experiências – que nos vem através de pessoas e eventos – perfeitamente necessárias para nosso crescimento e evolução, mesmo que não as entendamos ou as aceitemos.

E isso anula a possibilidade real de existirem de fato vitimas e culpados.

Foi a igreja quem inventou que existe uma guerra do Bem contra o Mal.

Mas a função do Mal não é derrotar o Bem, é se transformar em Bem. Assim como a função da sombra não é apagar a Luz, e sim ser iluminada.

E esta perspectiva recoloca em nossas mãos – em parceria com esse Deus interno - a responsabilidade plena sobre a nossa vida e sobre o nosso destino.


3.   Vaidade X auto valor:

Outra invenção bizarra da igreja para manter em baixa a auto estima coletiva.

Se amar, se respeitar, se admirar, honrar seu conhecimento, suas conquistas e realizações, divulgar com competência e convicção sua imagem profissional e seu trabalho, ter orgulho de suas obras expo-las ao mundo, nada disso é vaidade.

É auto valor. É alta auto estima.

Vaidade é quando se começa a querer competir e a se comparar com o outro.

 E aí Freud explica, pois a vaidade vem tentar justamente tentar compensar baixo auto valor e baixa auto estima.

4.   Egoísmo X Eu primeiro:

Mais outra “pérola” eclesiática!

E é também um show de incoerência, na medida em que Jesus em sua famosa máxima declarou : “Amai ao próximo como a ti mesmo”.

E como eu vou amar decentemente alguém se eu me considero culpado e pecador congênito ? Como vou dar o que não tenho ? Que qualidade de amor eu vou poder compartilhar?

O que vou acabar fazendo na verdade é mendicância ou vampirismo na tentativa de obter do outro o amor e a aceitação que eu não dou para mim porque me disseram que eu era culpado e pecador de nascença.

Então “Eu primeiro” parece ser o caminho mais inteligente para poder vir realmente a amar a si e consequentemente, amar ao próximo com qualidade.

O egoísmo é outra coisa.

Egoísmo é ”Só eu”, o que é muito diferente.

Também tem seu Freud aí tentando reter no externo o que se pensa que não tem dentro, com o objetivo de completar um aparente vazio interno.

Egoísmo é patologia. “Eu primeiro” é saudável.

Até porque só nós podemos verdadeiramente fazer por nós. O outro só pode nos dar ou fazer o que é perecível e passageiro.

5.   Prosperidade material X pobreza “santa”:

“É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus” é mais uma dessas estratégias eclesiásticas destinadas a encher os cofres da Sé.

Aí a igreja também inventou que dar é mais nobre do que receber, que fazer pelo outro é mais nobre do que fazer por si e que o que é gratuito é mais bacana que o que é cobrado.

Considerando – e mais uma vez tomando emprestado conhecimentos milenares – que o Universo funciona na mão dupla (lembra de yin & yang?) em permanente dinâmica de troca e de homeostase, dar mais que receber (e vice versa) desequilibra o sistema.

Considerar o outro mais importante do que eu, só mantém minha auto estima lá no pé (pois coloca o outro superior a mim) e em algum lugar de mim o que realmente dá é muita raiva.

E sabemos que tudo o que é gratuito não é dado valor. Porque só tem valor quando é troca. Nada é gratuito no Universo. Tudo é troca. Seja na física, na  biologia. na química ou no campo da energia.

Daí prá demonizar o dinheiro foi um passo, como se todos os ricos fossem 
necessáriamente maus e todos os pobres, bons.

No que me diz respeito, em quase 30 anos como buscador e como profissional terapeuta cruzei em meu caminho com inúmeros “ricos da luz”, gente cheia da grana, muitas delas engravatadas e trabalhando na cidade em escritórios, mas muito mais espiritualizadas e evoluídas do que muitos alternativos naturebas e muitos espiritualistas de “cenário e figurino”, super mal resolvidos e cheios de inveja e de raiva dos prósperos e dos bem sucedidos, ou seja, gente que confundiu simplicidade com pobreza.

Se você não é uma Madre Tereza, nem um Chico Xavier nem um Dalai Lama (que já estão em outro nível evolutivo), trabalhe pela sua prosperidade material, pois ela é uma expressão direta do seu poder pessoal e do seu auto valor.

E poder pessoal e auto valor são expressões de uma libido saudável forjada pelo desenvolvimento pleno e equilibrado de suas potencialidades e talentos.


ERNANI FORNARI